Em 2025, o Senado pagou mais de R$ 40 milhões em despesas de assistência médica para senadores, ex-senadores e seus grupos familiares, segundo dados do próprio Senado. A partir desse cenário, a Cansamos, plataforma de leis de iniciativa popular que já alcança mais de 20 milhões de visualizações e reúne mais de 27 mil pessoas voluntariamente filiadas, apresenta uma proposta para que políticos e seus familiares obrigatoriamente utilizem a rede pública de saúde e educação enquanto estiverem no exercício da função.
A chamada “Lei dos Políticos nos Serviços Públicos” prevê que agentes polít icos, seus assessores diretos e familiares em primeiro grau utilizem somente os serviços públicos durante o período em que o agente estiver no cargo, sob pena de multa e perda de mandato caso descumpram a lei. Hospitais e escolas privados que atenderem os políticos e seus familiares também estariam sujeitos à multa. A proposta parte de uma premissa: quem administra e toma decisões sobre os serviços públicos também deveria estar sujeito à realidade da rede oferecida à população.
“Quem governa precisa viver a realidade que governa”, afirma um dos fundadores da plataforma.
Segundo o levantamento, o gasto médio anual por senador beneficiário ficou em aproximadamente R$ 64 mil em 2025. Na Câmara dos Deputados, o custo médio por beneficiário foi de cerca de R$ 6,2 mil. Já na rede pública de saúde, a estimativa utilizada pela Cansamos aponta um investimento de aproximadamente apenas R$116 mensais por pessoa.
"Isso mostra claramente o desprezo ao aparelho público e a baixa verba destinada. Isso precisa mudar com a força da lei de iniciativa popular", diz o representante da Cansamos.
Para a plataforma, existe uma distância entre aqueles que tomam decisões sobre saúde e educação e a população que depende diretamente desses serviços. Filas, falta de profissionais, infraestrutura insuficiente e dificuldades de acesso fazem parte da realidade de milhões de brasileiros, enquanto agentes responsáveis por definir políticas, orçamentos e prioridades frequentemente recorrem à rede privada, inclusive com seus familiares.
A “Lei dos Políticos nos Serviços Públicos” estabelece uma condição temporária vinculada ao exercício da função pública. Durante o mandato ou período no cargo, a lei obriga políticos, familiares e assessores diretos a usarem exclusivamente saúde e educação públicas. Com o fim da função, voltaria a existir a possibilidade de escolha entre os serviços públicos e privados.
A justificativa da iniciativa está relacionada a princípios como moralidade administrativa, isonomia, impessoalidade e supremacia do interesse público. Segundo a Cansamos, a medida também poderia aproximar os agentes públicos dos problemas enfrentados diariamente pela população e criar um incentivo para o aprimoramento dos serviços que estão sob sua responsabilidade.
“Se não quer usar o serviço público, não ocupe o cargo público. Não se trata de proibir uma escolha pessoal para sempre, mas de estabelecer uma condição para quem decide assumir uma função pública”, reforça um dos fundadores da Cansamos.
A iniciativa utiliza o mecanismo constitucional da Lei de Iniciat iva Popular, o mesmo mecanismo que possibilitou a criação da Lei da Ficha Limpa, um dos exemplos mais conhecidos desse instrumento no Brasil, e se apresenta como independente e apartidária. A proposta pretende transformar a discussão sobre o uso dos serviços públicos por agentes políticos em um debate sobre responsabilidade, igualdade de acesso e participação popular.
"A Cansamos se propõe a fazer mais de 20 leis como a da Ficha Limpa, uma mais profunda que outra, já que acreditamos que a mudança não virá do governo, só virá de fora com a população organizada", comenta um dos fundadores.
A Cansamos ganhou projeção nacional nos últimos meses: seu principal vídeo já ultrapassou 22 milhões de visualizações, enquanto a plataforma reúne quase 30 mil pessoas cadastradas. A partir desse alcance, a iniciativa pretende concentrar sua mobilização na Lei dos Políticos nos Serviços Públicos e ampliar o debate para além das redes sociais.
A pergunta que a plataforma coloca é simples: Já que os políticos são pagos para fazer funcionar a saúde e educação públicas, não é correto que eles, seus assessores e seus familiares utilizem esses mesmos serviços?
Quem quiser apoiar a iniciativa pode acessar o site da Cansamos (https://cansamos.org/), conhecer a proposta e se cadastrar para acompanhar e participar da mobilização pela aprovação da Lei dos Políticos nos Serviços Públicos.
Mais informações no site: cansamos.org
Youtube
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